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Metal Fora do Radar #01 – John Bush, o vocalista mais subvalorizado do metal

Por Erick

Lá no final de 2023, a gente soltou um episódio sobre bandas que sempre consideramos subestimadas. Listamos meia dúzia de casos e, entre eles, falamos do Fates Warning. Pois bem: durante a divulgação, um gaiato desses comentadores avulsos de posts alheios apareceu dizendo que a gente não entendia nada da banda.

Obviamente, o incauto ainda não conhecia nosso trampo direito. Quem acompanha o PauleraCast sabe que Jim Matheos e cia. estão sempre nos nossos papos. Mas aquela ocorrência deixou claro que a nossa intenção talvez não tenha ficado tão evidente: quando falamos em “subestimados”, não é sobre importância, qualidade ou competência, e sim sobre a falta de atenção que o grande público dá a certas bandas e músicos.

Mas, por que estou dando essa volta toda? Vamos ao ponto: esta série de artigos, a “Metal Fora do Radar”, surge justamente para aprofundar essas ideias. E sim, como você já percebeu na foto da capa na nossa home page, hoje não vamos falar de Fates Warning, mas de John Bush.

Escolhi o João Arbusto para começar esta coluna porque digo sem medo: ele é o vocalista mais subvalorizado da história do metal. Se algumas das suas escolhas de carreira tivessem tomado outro rumo, talvez o reconhecimento fosse bem maior. Mas não foi o que aconteceu.

John Bush nasceu na Califórnia em 1963 e começou sua trajetória no começo dos anos 80 como letrista e vocalista do Armored Saint. O Saint sempre foi cultuado: respeitado, influente, mas nunca com o alcance comercial de alguns pares da cena de L.A. Ainda assim, Bush cravou seu nome em clássicos como March of the Saint (1984) e, mais tarde, no celebrado Symbol of Salvation (1991), já após a perda do guitarrista Dave Prichard. Sua voz potente, grave e melódica conquistou respeito imediato no underground.

No começo da sua carreira metálica (trocadilho infame) surge um dos maiores “what ifs” do metal mundial. No início dos anos 80, o Metallica cogitou trazer outro vocalista para que James Hetfield pudesse se dedicar mais à guitarra. John Bush foi um dos nomes sondados.

Ele recusou, preferindo seguir com o Armored Saint, que já tinha certa tração em Los Angeles. Anos depois, Bush sempre disse não se arrepender: afinal, naquela época, o Metallica ainda era “só uma banda local”.

Mas olha como a história poderia ter mudado.

No início dos anos 90, veio o segundo grande ponto de virada. Dessa vez, Bush aceitou o convite: entrou para o Anthrax em 1992, substituindo Joey Belladonna. Gravou quatro discos de estúdio nessa fase (Sound of White Noise, Stomp 442, Volume 8 e We’ve Come for You All), marcando uma mudança no timbre e na identidade da banda.

A recepção foi mista entre fãs e crítica, mas é inegável: ele deu fôlego criativo e uma cara diferente ao Anthrax. Eu mesmo, sem ser grande fã da fase Belladonna, tenho no Sound e no We’ve Come meus plays #favoritaços da discografia deles.

Depois da saída oficial do Anthrax em 2005, Bush voltou ao Armored Saint, mantendo a chama acesa em álbuns como La Raza (2010), Win Hands Down (2015) e Punching the Sky (2020), todos muito bem recebidos. Ao mesmo tempo, equilibrou participações paralelas, como no Category 7, supergrupo formado em 2023 com Phil Demmel, Mike Orlando, Jack Gibson e Jason Bittner. O debut autointitulado saiu pela Metal Blade em julho de 2024, mostrando que Bush segue em altíssimo nível.

E a história não para: agora em dezembro de 2025, ele anunciou uma série de shows solo com músicas dos álbuns que gravou com o Anthrax, acompanhado pelos parceiros do Category 7 como banda de suporte.

John Bush merece estar no panteão do metal. Sua carreira é um mosaico de escolhas ousadas, momentos decisivos e performances memoráveis, prova de que tamanho talento nem sempre recebe o reconhecimento que merece.

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