Por Erick
Estreou no último dia 07/10, no Paramount+, o documentário No Escape From Now, sobre os últimos anos de vida do grande e já saudoso Ozzy Osbourne.
Produzido pelos estúdios MTV (os mesmos que há mais de vinte anos criaram o tragicômico The Osbournes), em parceria com a própria família, o longa retrata os momentos finais da trajetória terrena da lenda do metal. O ponto de partida é um dos períodos mais críticos de sua vida: ao tentar se recuperar de uma queda, Ozzy enfrentou um martírio de cirurgias malsucedidas, tratamentos dolorosos e uma vontade obstinada de reconquistar alguma qualidade de vida que lhe permitisse continuar fazendo o que mais amava: fazer música e estar, de alguma forma, perto dos fãs.

É curioso notar como foi a música, e não os tratamentos, que trouxe algum alento ao Madman em seus anos derradeiros. O documentário captura bem o momento em que, já bastante debilitado e exausto, Ozzy aceita gravar uma faixa em parceria com o rapper Post Malone, sob a batuta do jovem produtor e guitarrista Andrew Watt.
Essa gravação, Take What You Want, foi a fagulha que reacendeu algo dentro dele. Tanto Ozzy quanto sua família (com papéis fundamentais de Sharon e Kelly Osbourne) perceberam que ainda havia espaço para novos sons. Dali nasceu o processo de composição e gravação que culminaria em seus dois álbuns finais: Ordinary Man e Patient Number 9.
A partir daí, o filme nos apresenta relatos poderosos de músicos que testemunharam esses últimos passos. Chad Smith, Robert Trujillo e o próprio Watt deixam claro o quanto Ozzy precisava dessas músicas para se sentir vivo novamente, mesmo que o processo fosse brutal.
E coloca brutal nisso!
É nesse período que Ozzy começa a se preparar para a sua cerimônia de indicação ao Rock & Roll Hall of Fame. Se a jornada de reabilitação é extenuante até mesmo para quem assiste ao longa, imagine para alguém com a fragilidade física (e emocional) que ele enfrentava.
Essa rotina de esforço e recuperação só se intensificou com a proposta de Sharon de realizar o show de despedida do Black Sabbath, o histórico Back to the Beginning, em Birmingham, em julho deste ano. Embora o foco do documentário permaneça na tentativa de recuperação de Ozzy para subir ao palco, o terço final dedica-se a mostrar as articulações entre bandas e convidados que tornaram o evento possível.
Entre os depoimentos sobre o show, o mais tocante e inesperado é o de Billy Corgan. Suas palavras são genuínas e emocionadas, e é impossível não se comover ao vê-lo às lágrimas ao descrever o impacto de Ozzy e do Sabbath em sua vida.
Embora No Escape From Now não tenha sido concebido como um tributo póstumo, o falecimento de Ozzy em 22 de julho de 2025 deu ao filme um peso ainda maior.
Apesar de longo e, por vezes, doloroso, o documentário consegue equilibrar o espetáculo e a intimidade. Ao mostrar o esforço quase sobre-humano de Ozzy para se manter de pé, o filme entrega um retrato sincero e sem filtros de alguém que sempre viveu para o palco. Ver o “lado humano” do Principe das Trevas, vulnerável, cansado, envelhecido mas ainda criativo e espirituoso, é raro e legitimamente emocionante.
Para fãs de rock e metal, No Escape From Now é uma peça essencial para compreender não só o homem por trás do mito, mas também como música, saúde, idade e legado se entrelaçam, e como a arte pode ser, literalmente, o último remédio.



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