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Metal Fora do Radar #02 – Jim Matheos, o melhor guitarrista do mundo que ninguém sabe quem é

Por Erick

Eu não tenho dúvidas: o PauleraCast é provavelmente o veículo que mais fala sobre Fates Warning no Brasil e, quem sabe, aquele que mais toca no tema por metro quadrado no mundo.

Quando pensei em lançar esta coluna, meu primeiro personagem seria Jim Matheos, vulgo “melhor guitarrista do mundo que ninguém conhece”, by PauleraCast. Mas, como a vida gosta de coincidências, o Alex mandou um artigo sobre o OSI, e decidi guardar esses rabiscos por mais um tempo. Ainda assim, a hora de falar de Jaime Mateus chegaria, e aqui estamos.

Jim nasceu em Connecticut, em setembro de 1962. Aos vinte anos, fundou a banda que o tornaria uma das principais forças criativas do metal progressivo: o Fates Warning. A banda começou de forma tímida, com um metal bastante influenciado por Iron Maiden, mas evoluiu rápido. Com o álbum No Exit de 1988, primeiro com Ray Alder nos vocais, o Fates se firmou como pedra fundamental do Prog Metal. Boa parte dessa evolução se deve à sensibilidade e técnica de Matheos, frequentemente elogiado pelo tom de guitarra, pela capacidade de criar riffs e texturas e pela disposição de explorar territórios além do metal de “face-valent”.

Matheos permaneceu na banda desde o início, mas hoje pouco se sabe sobre o futuro do Fates Warning. Após Long Day Good Night de 2020, ele declarou que não escreveria mais músicas novas para a banda, gerando dúvidas sobre se isso significava o fim do Fates ou apenas um hiato. A ver!

Enquanto isso, Matheos retomou sua veia de projetos paralelos, sempre presente em sua carreira. Em 2002, surgiu o OSI (Office of Strategic Influence), parceria com Kevin Moore, ex-tecladista do Dream Theater. O OSI mistura metal progressivo com elementos eletrônicos, ambientes e experimentações, revelando o lado mais experimental de Matheos, fora da estrutura tradicional de banda de metal. Leia o artigo do Alex que eu mencionei acima e saiba mais sobre o Office.

Em 2010, Matheos se uniu ao vocalista original do Fates, John Arch, no projeto criatiavamente batizado de Arch/Matheos. Lançado em 2011, Sympathetic Resonance é celebrado pelos fãs de primeira hora e permitiu a Matheos revisitar sonoridades que poderiam ter sido do Fates, mas seguiram um caminho paralelo. Sinceramente, interessante mas esquecível, o álbum parece ter sido produzido só para resgatar alguma divida do guitarrista com seu antigo companheiro de banda e nada mais.

Na segunda década do século XXI, surgiu Tuesday The Sky, projeto instrumental focado em atmosfera, textura e influências de ambient music, electronica e post-rock, indo muito além dos riffs de metal. Com dois álbuns lançados, Dirt de 2017 e The Blurred Horizon de 2021, o projeto anunciou recentemente seu terceiro disco, Indoor Enthusiast, previsto para outubro de 2025.

Para explorar seu lado mais rock clássico, Matheos também é o principal compositor do Kings of Mercia. Com Steve Overland, vocalista da banda britânica FM, ele montou o projeto para criar um rock mais direto e melódico, menos intrincado que seu trabalho de metal progressivo. Os dois álbuns da banda receberam resenhas positivas pelo PauleraCast e foram muito bem acolhidos por toda nossa extensa equipe, leia-se eu, Alex e Renan.

Mais recentemente, em 2024, Matheos se uniu a Ray Alder no North Sea Echoes. O projeto nasceu de composições que Matheos criou para Tuesday The Sky, mas que pareciam mais voltadas a vocais. O resultado foi o álbum Really Good Terrible Things, com sonoridade atmosférica e melancólica, menos metálica, com guitarras texturizadas e vocais emotivos. Apesar do conceito interessante, o play decepcionou parte dos fãs que esperavam algo mais próximo daquilo que os dois músicos já criaram juntos, soando em alguns momentos como apenas uma extensão do universo do Tuesday.

Mas, independentemente disso, Jim Matheos merece muito mais atenção e reconhecimento. Ele combina técnica, ambientação e dinâmica, sendo uma peça-chave do metal progressivo americano. Sua vontade de experimentar, do metal ao ambient, do prog ao rock clássico, mostra que ele nunca se limitou a um estilo, sempre aberto a novas paisagens sonoras.

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