Por Erick
Como o Alex provavelmente diria, cá estou eu de novo naquela tentativa desesperada de perder mais alguns dos nossos poucos seguidores. Mas, convenhamos, o espaço é nosso e aqui a gente fala do que quiser. Vai que, no meio do caminho, aparece mais um ou outro incauto pra engrossar a pequena horda de pauleracasters?
A Bárbara vai me entender. Lá no fundo daquela alma headbanger forjada a grindcore e fanzine, bate um coraçãozinho de diva pop, alimentado pelo hit parade da Antena 1.
E é justamente esse lado soft rock do meu ser que resolveu dar as caras hoje.
O som da vez é “Broken Wings”, do Mr. Mister, mas na releitura da banda australiana Hindley Street Country Club, ou simplesmente HSCC. Um coletivo de músicos que parece ter saído direto de um sonho de quem ama a sonoridade dos anos 80, mas com produção digna de 2025.
No último Sobe o Som, falei sobre o quanto covers me chamam atenção, especialmente os que dão peso a músicas pop. A HSCC, no entanto, joga em outro campo. Eles não reinventam os originais: preferem versões fiéis, bem produzidas e cheias de elegância (às vezes tão boas que a gente até esquece que está ouvindo um cover).

Fundada em 2017, em Adelaide, pelo produtor e baixista Constantine Delo, a HSCC começou como uma reunião de músicos de estúdio gravando versões de clássicos dos anos 70, 80 e 90 para o YouTube. Hoje, o canal soma mais de 590 milhões de visualizações e transformou o projeto num fenômeno global, daqueles que nasceram na internet e acabaram conquistando os palcos do mundo real.
No repertório, tem de tudo: Michael Jackson, Donna Summer, Queen, Toto, Foreigner, Whitesnake… Tudo feito com arranjos limpos, técnica absurda e uma entrega que beira o perfeccionismo sem nunca perder o prazer de tocar.

Em “Broken Wings”, o mérito da HSCC é não reinventar o clássico, mas atualizá-lo com elegância. Eles mantêm o clima etéreo e introspectivo, mas com som cristalino, baixo encorpado e teclados de textura cinematográfica.
O vocal de Danny LoPresto (músico que geralmente assume o microfone quando os sons são versões de rock n roll) é o ponto alto: emocional, maduro, sem cair na caricatura oitentista. Ele entende a melancolia da letra e entrega sentimento sem exageros.
A cozinha, marca registrada da banda, é de outro nível: precisa e vibrante ao mesmo tempo. A guitarra limpa, cheia de chorus, acena para Richard Page e Steve Farris do Mr. Mister, enquanto o teclado costura o arranjo com leveza e profundidade.
O vídeo, fiel ao estilo da HSCC, traz cortes mínimos, focando no som e na entrega. O resultado é simples e poderoso: parece estúdio, mas soa como palco. Tudo é espontâneo, orgânico, profissional e cheio de respeito pelo original.
E é justamente por isso que funciona.
A HSCC entende o que muita banda de cover esquece: não basta tocar a música, é preciso respeitar o espírito dela.
Eles tocam “Broken Wings” como quem cresceu ouvindo o vinil, mas domina as ferramentas do século XXI. É homenagem e reinvenção na mesma medida e o resultado é um lembrete de por que certas músicas simplesmente não envelhecem.




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