Por Erick
A questão com Paul Gilbert nunca foi técnica. Foi de pouca consideração.
Para muita gente, ele continua sendo “o guitarrista das baladas do Mr. Big”, e isso reduz absurdamente a dimensão real do trabalho dele. Porque muito antes e muito depois de To Be with You, Paulo Gilberto sempre foi um metalhead de laboratório, daqueles que estudam obsessivamente palhetada, precisão e composição pesada com dedicação quase científica, criando riffs que fariam até o truz00 mais rígido se curvar e chorar em posição fetal.

Gilbert nasceu musicalmente dentro da Shrapnel Records, o selo que funcionava como uma espécie de academia brutal do shred: lá não havia glamour, só pressão técnica, gravações insanas, guitarristas duelando velocidade e um ambiente onde Marty Friedman, Jason Becker, Tony MacAlpine e Vinnie Moore aprendiam a tocar como se suas vidas dependessem disso.
Quando Gilbert entrou no Racer X, ele absorveu esse espírito de imediato, despejando agressividade e musicalidade com um nível de autoridade que, se tivesse vindo de algum alemão cabeludo com jaqueta de couro, provavelmente seria tratado como lenda até hoje.

E mesmo quando se mudou para o Mr. Big, aquele DNA metálico não evaporou. Ele só foi recoberto por um verniz mais melódico, o que criou essa percepção esquisita: rápido demais para quem só queria um hit romântico, pouco metal para quem jurava fidelidade ao som do capiroto. Gilbert ficou preso nesse limbo curioso, pop demais para o metal e metal demais para o pop, e acabou subestimado exatamente pelo público que mais deveria reconhecê-lo.
Hoje, numa fase madura e cheia de experimentação, ele revela mais claramente quem sempre foi. A técnica continua absurda, mas agora convive com melodias inteligentes, ideias estranhas no melhor sentido da palavra e um senso de humor musical que praticamente nenhum guitarrista moderno consegue replicar. Gilbert compõe como quem brinca, mas brinca num nível em que poucos sequer alcançam a porta de entrada.
Se você só conhece o lado fofinho do Mr. Big, está deixando passar um guitarrista que, quando quer, soa tão agressivo quanto qualquer nome pesado do seu altar metálico. Amém!
Paul Gilbert sempre foi metal. Você só não estava prestando atenção.




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