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89FM: Os 40 anos da Rádio Rock na minha vida

Por Erick

Nesta semana, em 02/12, a 89 FM completou 40 anos. E, desses quarenta, uns 35 fazem parte da minha vida quase diariamente, tirando aquele período de descaminho da emissora lá pelos meados dos anos 2000.

Já falei aqui no pauleracastpontocom sobre como as rádios moldaram a minha formação cultural (e até pessoal). Mas hoje queria dedicar algumas linhas deste rabisco aos 89.1 do dial, que me acompanham desde os meus 13 ou 14 anos.

Devo ter começado a ouvir a rádio entre 1989 e 1990. Na época, a 89 rivalizava com a querida e saudosa 97FM, orgulho roqueiro de Santo André. A 97 era mais metal e hard rock, totalmente dentro do meu gosto, mas foi na 89 que eu realmente me eduquei musicalmente.

Minhas tardes depois da escola começavam com Tavinho Ceschi e o It’s Only Rock N’ Roll. Depois vinham Éverson e Zé Luiz na programação regular durante a semana, até chegar ao 89 Decibéis do Tatola, com os Over Powers e Super Over Powers, responsáveis por encher dezenas das minhas fitas K7 Basf 90. À noite, Renato Morcegão encerrava o dia com clássicos no Arquivo do Rock.

Quando comecei a metalizar os ouvidos, vieram o Comando Metal aos domingos à noite e o Oitenta e Noise, apresentado pelo Pastor (ou Pepe Gonzalez?), que faziam o meu velho e surrado Philips 3 em 1 sofrer.

Sem contar o Rock Report com o Reverendo Massari e os especiais que me apresentaram histórias e discografias inteiras das mais diversas bandas. E, claro, o ponto alto da minha relação com a 89: quando ganhei ingressos para ver o Black Sabbath no Olympia.

Ouvi a rádio religiosamente até o fim de 1994. Mas ali começaram as mudanças, uma programação de acento mais pop, sobretudo com a chegada de Luiz Augusto Alper para mandar na p0rr4 toda. A audiência cresceu, mas eu senti a curadoria enfraquecer. De um dia para o outro, o Sepultura das 15h15 em uma quarta-feira qualquer deu lugar ao Skank, e, com todo respeito, “Garota Nacional” de rock não tem nada (derirá down down).

Foi justamente quando comecei a trabalhar e tinha menos tempo para a rádio. Meus K7s gravados dos meus próprios CDs acompanhavam meu walkman e a pegada mais alternativa da Brasil 2000 ocupava mais espaço, ainda mais após o fim da 97. Mas a 89 continuava lá. E só saber disso já me conectava à minha adolescência.

Anos depois veio a guinada para o dance pop e aquele sentimento de perda parecido com o que senti quando a 97 acabou. Eu me refugiei na Brasil 2000, com Tatola e Daniel Daibem por lá, até que, em dezembro de 2012, a 89 finalmente voltou ao rock. Nunca esqueço: no dia seguinte ao meu aniversário, a rádio renasceu com o som que a fez ser o que sempre foi, a maior rádio de rock do Brasil. For those about to rock, we salute you!

Hoje eu ouço menos do que gostaria. Algumas escolhas da programação me deixam meio “Seu Lunga do rock”. Michael Jackson cantando Black or White numa rádio de rock? Difícil. Se fosse pelo menos Beat It (entendedores entenderão)… Além disso, tem muito rock metido a moderninho, quase zero metal e falação demais. Mas, na era dos streamings, talvez essa seja a fórmula (blá-blá-blá e intermináveis mensagens de áudio de whatsapp, entremeadas de música) para manter viva a sensação de companhia típica das antigas rádios AM.

Todas essas memórias ganharam acalento no incrível trabalho do jornalista Ricardo Alexandre, o livro 89 FM – A História da Rádio Rock do Brasil, e no áudio documentário (também produzido por ele) 28 Anos Que Mudaram o Rock, que revisitava a trajetória da rádio entre a inauguração em 1985 e 2013 com profundidade e curiosidade.

E é justamente por tudo isso que celebrar esses 40 anos tem um gosto especial. A 89FM atravessou fases, erros, acertos, renascimentos e algumas teimosias sonoras, mas nunca deixou de ser parte da minha história e de tanta gente que também cresceu ao som dela.

Feliz aniversário, 89FM. Você faz parte da minha vida. E viva o rock!

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