Por Erick
O Corrosion of Conformity (C.O.C) desembarcou em São Paulo no último dia 17 de janeiro e fez um show sold out que deixou a galera em êxtase. Embalado pelas resenhas empolgadas da noite, resolvi abrir o “Sobe o Som” de 2026 falando sobre uma das faixas deles que mais me pegam até hoje: “Clean My Wounds”.

Nos primeiros anos, o C.O.C era sinônimo de crossover: aquela mistura explosiva de punk/hardcore com metal que colocou bandas (com nomes de sopa de letrinhas) como D.R.I., S.O.D. e (por que não?) o nosso R.D.P. no mapa. Mas, com o tempo, os caras da Carolina do Norte foram desacelerando o andamento e mergulhando em riffs mais pesados, sujos e hipnóticos, claramente inspirados pelo legado de Tony Iommi. O resultado foi uma sonoridade que flertava cada vez mais com o stoner/sludge metal.
Essa virada ficou evidente no monumental Deliverance (1994). Com Pepper Keenan nos vocais e guitarra base, Woody Weatherman na guitarra solo, Mike Dean no baixo e Reed Mullin na bateria, a banda acertou em cheio. O disco é uma sequência de clássicos que definiram o metal alternativo dos anos 90: “Albatross”, “Broken Man”, “Shake Like You” e, claro, a visceral “Clean My Wounds”.

A faixa abre com um riff marcante, daqueles que grudam na cabeça e você quase canta junto. O baixo segura o groove com firmeza, enquanto a bateria de Mullin dá o tempero quebrado que torna a música tão única. O vocal de Keenan, mesmo filtrado por efeitos de estúdio, encaixa perfeitamente na estrutura pouco convencional da composição. Os solos de guitarra se dividem em duas atmosferas: uma espiral densa e grave conduzida por Weatherman, seguida pela simplicidade direta e cativante de Keenan que remete às raízes punk da banda.
O clipe, presença garantida em programas como Fúria Metal e até no Gas Total (mais uma menção ao eterno Gastão Moreira), é puro anos 90. Tons sépia e amarelados, cortes rápidos e imagens enigmáticas (incluindo um bode correndo pelo set sem explicação alguma) entregam a idade do registro, mas ainda mantêm o vídeo interessante e cheio de personalidade.
De um álbum recheado de pedradas, “Clean My Wounds” continua soando atual, vibrante e irresistível. É a prova de que o C.O.C soube se reinventar sem perder a essência, deixando sua marca definitiva no som pesado dos anos 90.




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