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Os baixistas são humanos? Geddy Lee prova que sim!

Por Erick

Quando eu e o Alex fizemos o Resenhão do álbum solo do Geddy Lee lá em 2021, chegamos a uma conclusão simples e inabalável: o Geddão deve ser um cara muito legal. Ainda não li a autobiografia dele, mas depois de assistir à minissérie “Geddy Lee Asks: Are Bass Players Human Too?”, perdida no catálogo da plataforma de streaming Paramount+, sinto que cheguei mais perto de comprovar essa tese que já parecia óbvia.

A série tem quatro episódios de pouco mais de 20 minutos, todos dirigidos pelo cineasta e metalhead Sam Dunn. A proposta é acompanhar o canadense visitando alguns dos maiores baixistas do planeta para entender quem eles são longe dos palcos, das turnês e das luzes da ribalta (Limelight, para quem pegou a referência).

O primeiro episódio é praticamente um encontro de lendas: Lee no Rancho Relaxo, lar do inigualável Les Claypool. Claypool aparece como um caipira orgulhoso, cuidando da propriedade, mostrando sua vinícola e abrindo as portas do seu universo rural.

Geddy entra na brincadeira com aquele jeitão curioso e educado. E o mais interessante é ver como Claypool o reverencia; dá para sentir que, para ele, o canadense não é só uma influência, é um norte.

No segundo episódio, a viagem é até a Califórnia para visitar a “humilde residência” de Robert Trujillo, dono das quatro cordas no Metallica. Trujillo o leva para revisitar sua juventude em Venice Beach, entre surfistas, skatistas e memórias de um outro tempo.

A cena dos dois “surfando” juntos é daquelas que você não acredita que está vendo, quase uma piada interna entre velhos amigos, do tipo que o Geddy faria com seu parceiro de longa data, Alex Lifeson, sem pensar duas vezes.

O terceiro episódio é o mais estranho da leva. Em meio às paisagens de outono cinematográficas de Hudson, cidade ao norte do estado de Nova York, ele tenta conversar com Melissa Auf der Maur, ex-baixista do Hole e do Smashing Pumpkins.

Mas a coisa não flui. Melissa está fria, distante, quase desconfortável. Fica a sensação de que não quer revisitar certas memórias ou talvez ainda esteja tentando entender como se sente sobre elas. É o único momento da série em que o carisma do apresentador não consegue quebrar o gelo.

No episódio final, tudo volta a brilhar. A viagem agora é ao noroeste dos EUA para encontrar Krist Novoselic, o eterno baixista do Nirvana.

O que vemos é um Krist completamente entregue à vida comunitária: cuidando de cabras, galinhas e cavalos resgatados, reformando um templo protestante centenário com as próprias mãos e vivendo uma rotina que parece saída de um documentário sobre simplicidade voluntária.

A cereja do bolo é quando ele leva Lee para voar em seu pequeno avião de dupla hélice, uma cena tão inesperada quanto encantadora. A jornada termina com uma jam session ao lado da banda atual de Krist, Giants in the Trees, com Matt Cameron na bateria e uma aparição relâmpago do produtor Jack Endino.

Lançada em dezembro de 2023, a minissérie é um presente para quem gosta de música, de histórias de estrada e de ver ídolos sendo humanos. Dunn conduz tudo com cuidado, e o Geddão abraça o papel de anfitrião com naturalidade. No fim, fica impossível não reforçar aquela sensação que já tínhamos lá em 2021: ele é mesmo um cara legal, aquele tiozão quase vovô que você adoraria encontrar num churrasco só para ouvir histórias e dar risada.

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