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Aqui o assunto é o bom e velho ‘roque paulera’! Sem o ‘i’, mesmo!

Quando o prompt vira palheta (E o que isso diz sobre criatividade, música e truzões)

Por Erick

Muito se fala sobre como a IA vai acabar com certos postos de trabalho, especialmente aqueles marcados pela repetição e pela execução mecânica de tarefas que não exigem um senso crítico mais refinado. Nesse cenário, automatizar vira quase inevitável, liberando a capacidade intelectual do profissional para atividades mais bem acabadas, diligentes e provocadoras.

Mas… e quando a IA avança no território criativo?

Antes de mais nada: torcedores, calma! Este não é um textão do Linkedisney. Você está no #pauleracastpontocom, e logo mais aterrissamos no terreno fértil das nossas palpitagens musicais.

Espere e confie.

O preâmbulo acima (olha que bonito) serve para alinhar o que quero rabiscar hoje e antecipar minha visão sobre o uso de IA na música: eu acho, sim, que um bom agente do Claude pode ser útil, desde que seja tratado como mais um instrumento nas mãos de um musicista competente.

Não é de hoje que o ispotifaí anda caçando álbuns e bandas inteiras fabricadas exclusivamente por ferramentas digitais. É fácil enganar o algoritmo juntando 0s e 1s aqui e ali e criando algo que, com o devido carinho aos analytics, vai pipocar nas listas de “TOP qualquer coisa” mundo afora.

Mas se por trás dessa parafernália estiverem músicos de verdade, comandando prompts para produzir algo que realmente soe como música, aí a conversa muda. E minha defesa vem de algo que tem me divertido muito nos últimos meses: as versões metal de pérolas do cancioneiro popular brasileiro transformadas no mais puro roque bate-cabeça.

Você certamente já esbarrou em canais assim no iutúbi. O meu favorito é o Fita Destruída. Com mais de 24 mil seguidores e um catálogo de 142 vídeos (até a data de hoje; larga de preguiça e olha a data no cabeçalho do post), o canal distribui pedradas que vão de Wando a Legião Urbana, passando por Anitta e Secos & Molhados.

Sempre caprichando na “produção”, as versões metálicas são irresistíveis. Com raríssimas bolas fora, o canal entrega um prato cheio para o truzão cantar Evidências sem corar de vergonha diante dos comparsas de capirotagem.

E é aí que entra meu ponto: para saber encaixar a pegada do som original com a estética de um subgênero específico do rock, o cara precisa saber fazer música, não apenas mandar um prompt ajeitadinho.

Veja o caso do clipe que ilustra este artigo: a versão metal de Azul da Cor do Mar, do Tim Maia. Embora a descrição no vídeo a categorize como Doom Metal, eu diria que a vibe está mais para um Prog Metal soturno, algo que talvez o Evergrey faria. É impossível também não lembrar do estilo da banda cristã Iahweh, nos tempos em que o grande André Leite empunhava o microfone e ninguém menos que Eloy Casagrande segurava a bateria.

O criador da versão sacou tudo isso e mandou muito bem no prompt. E fez o mesmo nos outros sons. Por isso acredito que essa inteligência toda pode, sim, ser usada como ferramenta de composição e apoio à criatividade musical. Se a música pop sampleia coisas há décadas, por que não permitir que um agente de IA faça a mesma coisa no rock n roll?

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