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Sobe o Som #10 – Sepultura: “The Place”

Por Erick

Todas as vezes que falamos sobre o Sepultura no PauleraCast, fazemos sempre o mesmo disclaimer: se pra você a banda acabou quando o Max saiu, tudo bem. Nós discordamos, e tudo bem também.

Particularmente, talvez só o Alex esteja comigo nessa, eu vejo a fase Derrick Green como uma era de evolução nítida do Sepultura. Em composição, letras, temáticas e direção artística, a gestão criativa de Andreas Kisser não só empurrou o grupo para explorar novos caminhos sonoros como também ampliou significativamente o escopo das suas abordagens musicais.

The Place”, primeiro single do que foi anunciado como o último registro de estúdio do quarteto, The Cloud Of Unknowing (EP previsto para abril), é prova incontestável disso.

Divulgada previamente como uma balada e teoricamente co-composta pela dupla titânica Tony Bellotto e Sérgio Dias (teoricamente porque não encontrei confirmação oficial), a faixa representa com precisão a identidade sonora do Sepultura do século XXI: moderna, cheia de camadas interessantes e, sim, bem pesada.

E é justamente aí que eu questiono o rótulo de “balada” que a mídia especializada repetiu antes do lançamento. Talvez essa alcunha venha do fato de que, em parte da música, Derrick adota um vocal limpo. Mas isso não deveria soar como novidade: em trechos de Machine Messiah e Quadra ele já havia explorado essa pegada. E quem conhece seus outros projetos, como o eletrônico MaxemumHedrum, sabe que ele transita por diferentes registros vocais com naturalidade.

Aliás, essa “mansidão” dura menos de dois minutos.

Por isso reforço: “The Place” não é uma balada. É metal moderno, com camadas progressivas, riffs quebrados e melodias tortas, tratando de um tema muito característico do Sepultura: uma reflexão sobre imigração, assunto que pulsa nos quatro cantos do planeta. Mais uma vez, um tema cotidiano que provoca reflexão global, urgente e sem fronteiras ideológicas.

Outro ponto que merece destaque é o trabalho de bateria do jovem Greyson Nekrutman.

Seu Greyson simplesmente destrói!

Dono de uma técnica que vai do jazz à pancadaria pura, aqui ele abraça uma levada claramente slayeriana, a partir do trecho final da música, ecoando o mestre Dave Lombardo, como bem observou o não menos mestre Gastão Moreira (menção 3.789.159 de Gastão Moreira no PauleraCast)  na resenha que fez da faixa.

The Place” é um ótimo cartão de visita para o vindouro EP. Se a turnê de despedida já deixava no ar a sensação de que esses caras ainda tinham muito gás pra queimar, a amostra de The Cloud of Unknowing só confirma isso.

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