Por Erick
O nome de Markus Steffen raramente aparece no topo das listas de melhores do mundo porque o mercado da música pesada costuma ignorar o talento que não se manifesta pelo excesso. Como mente criativa por trás do Sieges Even e do Subsignal, ele consolidou um estilo em que a guitarra ocupa o espaço com uma clareza impressionante, priorizando a inteligência da composição em vez de se escorar em volume alto ou velocidade desenfreada.
Essa pegada foi refinada no laboratório do Sieges Even, especialmente em discos como o clássico The Art of Navigating By The Stars, no qual Steffen demonstrou ser perfeitamente possível conduzir um álbum complexo sem recorrer a distorções pesadas.

Ao manter o som organizado mesmo quando a banda decidia flertar com o experimentalismo, ele construiu uma reputação que acabou atraindo o próprio Andre Matos. Foi assim que, logo após deixar o Angra em 1999, o Maestro buscou o guitarrista e os irmãos Holzwarth para formar o projeto Looking-Glass-Self, que gravou a demo Equinox e registrou uma colaboração que uniu o núcleo do Sieges Even à voz do brasileiro antes de cada um seguir seus respectivos caminhos.
Essa trajetória de precisão ganhou um novo capítulo quando o Sieges Even implodiu após o disco Paramount, levando Steffen e o vocalista Arno Menses a seguirem juntos sob o nome Subsignal.
Mais do que uma simples troca de nome por questões de direitos, a transição serviu para simplificar a matemática bruta dos trabalhos anteriores e redirecionar o rigor técnico de álbuns densos para composições mais diretas. O resultado foi um som acessível que não sacrifica a profundidade dos arranjos em momento algum, provando que Steffen possui a mesma facilidade para criar ganchos memoráveis que sempre teve para desenhar os riffs intrincados que se tornaram sua marca registrada.

A grande força do Steffen reside justamente nessa entrega de uma coesão que valoriza o conjunto acima de qualquer brilho individual, sendo o exemplo de que a música bem pensada sobrevive ao tempo sem precisar gritar para ser notada. É essa postura que o define como um músico com muito menos fama do que o currículo exige e um talento que o mercado ainda custa a enxergar com a devida atenção.





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