Por Erick
Inicialmente pensei em batizar esta coluna, que pretende ser semanal, de Som de 6ª, para publicar às sextas-feiras. Depois, quando sentei no laptop para finalizar o texto, me ocorreu o nome Sabadaço, referência cringe que poucos vão entender. Mas aí caiu a ficha: se eu desse à série o nome de um dia da semana, ficaria preso a postar apenas naquele dia, criando uma responsabilidade que a minha preguiça não deixaria cumprir.

Por isso, resolvi batizá-la de Sobe o Som e espero ter encerrado a novela. A ideia aqui é falar sobre algum som novo ou clássico (para não dizer velho) que ando ouvindo e dar aquela tradicional palpitada. Diferente do que já fazemos no podcast com a #pauleracastouve, aqui não vai rolar só metal. Spoiler alert: o tiozão calvo-cabeludo de jaqueta jeans com patches do Grave Digger pode até tentar me cancelar quando isso acontecer…
Avisados, então, dedico este primeiro Sobe o Som a uma música que, definitivamente, não envelheceu: “Would?” do Alice in Chains.
Se não me engano, “Would?” foi lançada originalmente na trilha do filme Vida de Solteiro (Singles, 1992). A comédia romântica em si é esquecível, mas a tentativa de capturar o clima da cena de Seattle e a presença de bandas como Pearl Jam, Soundgarden, Mudhoney, Screaming Trees e, claro, Alice in Chains, fizeram a soundtrack virar registro histórico.

Meses depois, a faixa entraria em Dirt (na minha opinião, o melhor álbum da banda). “Would?” continua impressionando pela modernidade mesmo três décadas após o lançamento. A abertura no baixo cria a base perfeita para guitarras que soam quase atmosféricas, enquanto a bateria de Sean Kinney segura o pulso firme da música do começo ao fim. A marca registrada do Alice aparece logo nos vocais, aquele contraste sombrio e melódico que virou assinatura da banda. E, para coroar, o solo de Jerry Cantrell é daqueles imediatamente reconhecíveis, não apenas pelo timbre, mas pela maneira como define o peso e a identidade do Alice frente a tantas outras bandas do grunge.
Até o clipe envelheceu bem. Diferente da fotografia saturada tão comum nos anos 90 (veja “Angry Chair” para um exemplo), a iluminação de “Would?” faz com que o material pareça atual. Se você assistisse hoje no YouTube sem saber a data, provavelmente acharia que era um lançamento recente.
No fim das contas, “Would?” nunca sai da minha playlist. E quando toca no rádio (sim, eu ainda ouço rádio), a reação é automática: eu aumento o volume. Para mim, “Would?” sobe o som, mesmo.




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